quinta-feira, 29 de março de 2012

boemia desmedida


braços dados à noite
montamos um mote
de viver de braços cruzados no dia
e estendidos à penumbra.
foge-se do bar
dos rostos antigos
não quero ver 
essa gente de riso feito
outrora amigo.
nunca dizer
nessa mesa não sentarei
seria a melhor dose
mas a decadente experiência
nos põe a beber
com os velhos perigos 
de morrer e benzer os hábitos
nem sempre benditos.
o preço de filosofar muito, amor, 
é viver destemido
na crista das dúvidas
nas saídas quase nunca cristãs
nas saias da carolas
e nas batinas pagãs.
tua tv desligada 
boca fechada 
abre um livro 
boemia desmedida
cerra os pulsos
e soca no destino.
pois há algo mais filho da puta
que ter o controle infinito do nosso finito?
perco isso
pra não dizer que acho
pois não passa de sentimento
e vivo
como quem não pode guardar
nem aguardar
ele vir pronto
e pronto, veio, 
findo.

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