vem, meu irmão,
dê um abraço
dos de sempre
e chora sobre essa âncora de cansaço
sobre a pele que arde
seja gordo, seja magro
é você que andava
sempre dormindo do meu lado.
vem,
não esquece os pés descalços
que a chuva é boa
e só serve se junto tiver
com terra virando barro
lembrança de bicicleta
de choro e daquela casa.
toca do teu jeito
não apaga tua brasa,
não me veja como espelho
que eu não valho nada
a não ser o que me dás.
siga, meu irmão,
com ana, joão e mulher sensata
que a vida é breve
e se faz errada
se a gente não fizer de conta
que ela é bela
pela conta de matemática
misturada na hélice de um avião
ou num dna de praga.
ô, meu irmão,
lembra que foi o teu par
que correu pra escrever
se precisar de um desejo a mais
pede a deus por favor
não por obrigação
que dê meu tempo pro teu
que é pra o coração estender,
a nossa rua cheia de árvores
as copas fechando sol nas casas
e deus quem sabe vai sorrir
com o verde da cidade
com a sombra das calçadas
cadeiras, livros, café
as pessoas vão passar.
nós também.
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