domingo, 25 de março de 2012

ainda lembro


lembro de você
da sombra na cama
de levantar de noite 
chama pra acender
atender de um modo.
lembro de ter lavado o cabelo
com a cabeça pra trás
na ponta de abismo negro
ouvindo o som do lado.
como estão teus olhos
borrados, pequenos e minguantes
ou a espera ainda de um raio?
os cheiros cobrindo rasteira lembrança
como nuvem que esconde e solta sol
como bicho do mato
se escondem e correm pra tomar posição
meu amor vai sendo caçado
pedra a pedra, cacto a cacto.
cinco sentidos são poucos 
mas postos ao trabalho
me fodem numa overdose 
quando escancaram seus arquivos 
num abre pasta 
de momentos catalogados.
aí o sexto deles diz
que você deve ter 
passado a noite toda
abraçada ao travesseiro 
ou tirando a bagunça do escritório
do guarda-roupa, 
passando à limpo a prosa
lavando o cabelo pra se acalmar
com o cheiro do morango
depois do chuveiro.

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