meu pai me pediu pra parar de fumar
minha mãe
pra sentar e conversar comigo
o melhor que já recebi
foi uma mão vazia
um beijo sem pedir
um tirar de blusa no claro
uma poesia de vingança
coisas sujas e lindas no escuro.
aí, na parede,
só contradição.
barco velejando pra trás,
teu nome arrancando meu branco e pele,
quem sabe um pouco mais,
e uma dita também talhou sua risca.
meus olhos ali nos escuro jazem,
uma nega falou sobre minha sina,
irmãs, irmãos, deus me vendo
e, mesmo assim,
tanto desencontro.
nem sei
quem é o que
mas lembro dos rostos,
bocas, dizeres e maledicências
que me prenderam.
aí tá foda
o fogo é foda
o cigarro já não tem gosto
o álcool me dá dor na barriga
e sentimento mata.
me chamam de louco
e assim descubro
que estou no caminho certo
(ou seria torto?).
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