quinta-feira, 15 de março de 2012

culpa do vendedor de balas


o vendedor de balas
no recreio da escola
meu deu de troco uma com frase.
e eu voltando pra sala
me apaixonei 
pela menina mais brava.
todo dia agora
tinha dois caminhos.
no intervalo das aulas
pegava uma bala
pra ler um roteiro
quem sabe um texto
pra dizer.
voltava feito asa que corta
e me aninhava 
perto da ruiva brava
pra medir coragem
numa hora explodir
‘não tenho culpa te amar,
foi o homem da bala’.
não saía do dilema
até o dia 
que o sino tocou
olhei pra trás e ela não estava lá.
ia eu pegar uma bala
torcendo que saísse uma de saudade
pela falta que já sentia.
pedi ao moço vendedor
que me disse ‘não tenho mais.
dei todas praquela ali’
e vi a ruiva brava 
de costas
cortando os dois lados dos ombros
com os cabelos voando
e os papéis 
soltando pelo meio do caminho
num compasso de graça
era tudo uma trilha 
era chico buarque
eu era joão, ela maria.
catei as migalhas de pão
e voltei pra sala
acompanhando as frases. 
era muito amor nas balas.

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