nós lutamos
nós perdemos
escravizamos
e nos tornamos escravos-líbres.
damos um sentido à qualquer busca
e nos perdemos
apontando pro nariz
envergamos mastro
entramos mar a dentro
entendendo
porque não temos
porque não vivemos
e as astúcias mais imbecis do Capitão.
dizemos muito
e diremos mais.
correntes quebraram,
nossa luta foi capoeira alemã,
sem bater, mas ferindo.
mas eu só queria
se lembre:
temos a mesma Mama-África.
um dia haveremos de cheira a pó
sem nos mexer
nem lamentar.
quando penso que vou primeiro
cantar aquele cântico de adeus
e voltar lá de onde viemos
lembro tranquilo que
estarás aqui
na mesma nota
na mesma nau
atrás do Atlântico.
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