quando cheguei perto
do divino
vi uma rinha de galos,
uma rua pronta
pra receber uma feira,
um portão aberto de tarde,
carteiro entregando encomendas.
duas mulheres brigando
o asfalto da pista se enrolando todo
e cabendo num bolso,
o nome dos meus irmãos.
somos selvagens, organizados,
selvagens organizados,
nem temos esperança
e ainda esperamos o melhor.
às vezes é só instinto
nos impulsionando a ir
quilômetros a frente.
às vezes é apenas uma vontade
de perseguir um coelho.
feliz daquele que dorme
e do que esquece.
nenhuma placa de proibido
lhe aparecerá
se continuar a optar
pelas filas que ninguém escolhe.
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