segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

À cœur ouvert (la violation de le cœur)


ah, lua 
bela
fera lua, 
me vejo 
nas encostas dos prédios
só pra te espiar 
cheia e nua
já é outra lua
parece ainda com a primeira
mas é outra
sua história é solta,
nas suas veias
somente vinho corre.
eu sedento 
morro de vontade
quanto absorto fico,
um cheiro sai da tua boca
e deixa forte
a sensação que és louca.
puxas os meus pêlos
meus braços
mas foge selvagem 
dos laços que preparo com as mãos.
mandaste pra mim um jornal
vi tuas fotos no meio da manifestação
e como se fosse impossível
atiraste uma pedra de contestação 
no meu peito semi-aberto
na brecha do singelo
encontraste um buraco em formato de lua
onde te encaixas perfeito
entre minha vaidade e a tua.
e agora o que tem q ser feito
seja belo, certo ou banal
é com uma porta chata
aberta 
o vento teima em bater
e ela teima em não fechar
enquanto estou por perto.

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