sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lança


o que você faz
quando não sente mais alguma parte do corpo?
‘espeta com algo pontiagudo’.
foi isso que ela fez.
a mulher mais bela dessa cidade
lançou-me
feixe de olhar penetrante
cheiro de saudade
me transformou num sujeito
de sorte, de um
apenas um
um
jogo, flerte, dança e
suspiro ofegante. 
na ponta dessa lança
eu desértico 
chovi
milhares de pingos
de segundos.
abre-te boca e Sésamo
enche de beijo, mas não me enche
sangra em rio molhando em vermelho
o cabo da lança e mão que me segurou 
deixa as águas de inundar
lavarem roupa e cabelo.
deixa os flashes de fotos
explodirem e preencherem de luz 
o que queremos ver.
somos história 
de nós dois somente.
você a lança e eu 
de repente
começo a sentir um incômodo 
na caixa do peito.

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