já não lembro o nome dela
da mulher número 100
com quem me enterrei
debaixo do lençol.
também não vejo seu rosto
me escapa da percepção até
se naquele momento ela gostou.
mas não sou de todo pedra
tenho afetos guardados por ela
por aquelas pernas
que só um cachorro enlouquecido
como eu
poderia ter.
lembro que ela
veio direto a mim
sem dizer nada
e como um gozo,
se espalhou por sobre a colcha
e fronhas na cama
as pernas altas,
grandes (e que par bonito!).
me lembro
pensar muito,
pensei nisso
um tempo depois,
que eu não precisaria
de mais nada
nenhuma amenidade
nenhum assunto
além daquilo
que tivemos debaixo do céu e do lençol.
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