sábado, 24 de dezembro de 2011

a número 100


já não lembro o nome dela
da mulher número 100 
com quem me enterrei 
debaixo do lençol.
também não vejo seu rosto
me escapa da percepção até
se naquele momento ela gostou.
mas não sou de todo pedra
tenho afetos guardados por ela
por aquelas pernas
que só um cachorro enlouquecido
como eu 
poderia ter.
lembro que ela
veio direto a mim
sem dizer nada
e como um gozo, 
se espalhou por sobre a colcha
e fronhas na cama
as pernas altas,
grandes (e que par bonito!).
me lembro
pensar muito,
pensei nisso 
um tempo depois,
que eu não precisaria 
de mais nada
nenhuma amenidade
nenhum assunto
além daquilo
que tivemos debaixo do céu e do lençol.

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