um poeta que faz poesias de merda
uma princesa russa abastarda
se encontraram numa beira de estrada
decidiram destruir mágoas.
intitularam-se criadores
de animais e de sentimentos
tinham que alimentar
prender, vender,
comercializar
trocavam por comida
às vezes se matavam de fome
pra se não se desfazer
de um bater forte no peito.
não sabiam até quando
o desatinado tempo ia durar
deixavam pra sair de casa
à noite
quando os bichos sombrios
como eles
por conseguirem se conter
não podiam se ferir.
saiam levando saudade,
outra vez melancolia,
da dor nunca se desfaziam.
o poeta e a princesa
domadores ou adestrados
os seus membros feridos
de garras e patadas.
tinham uma gaiola
pra se proteger dos bichos
entravam e trancavam.
os sentimentos mereciam
brincar com a liberdade.
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