dois velhos passando
pela praça
me perguntam
‘onde é ponto?’
‘de ônibus? é logo ali
do outro da praça’
‘tão longe ainda’
disse a velhinha.
voltaram a andar,
mas o velhinho parou,
voltou, apertou minha mão
e disse
‘meu nome é josé’
‘prazer, seu josé’, pensando eu
nas leves coincidências. ‘o meu é joão’, completei.
a velhinha ainda
mão esquerda agarrada
ao decrépito amor
só conseguiu girar a outra mão
do lado direito da cabeça
pra dizer que ele era gagá.
e eu só conseguia pensar
na distância que velhice
nos faz percorrer
até cansado a gente ficar.
mas o amor, ah...
amarra a gente e diz que é louco.
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