por causa de um cartaz
do festival de rock
deixei a porta aberta
pra sempre.
dois namorados
que não se veem
longe um do outro
noutro tempo
não conseguem se pensar perto.
é um misto
das manchas de roupa desbotada
com as manchas de brincadeira na lama.
vontade desvairada de voar pro peito
noutro século
vira
o medo de estar por um segundo
ainda, aturando ao lado.
corre e quer sumir
a cabeça esconder
e deixar o resto do corpo
pro furacão que quiser.
um cd com músicas especiais
dança no quarto
num paralelo
nem se consegue ouvir
o timbre da voz.
eram dois namorados
hoje nem sabem
quem são mais.
nem mesmo pra si
que dirá
um para o outro.
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