Como é impedir
uma porta de abrir?
E sonhar?
Como é sonhar sem pedir?
É como entrar pela porta
cabeça a dentro
sem ter
licença pra entrar.
É a tinta preta
sujando as mãos
marcando em mim
o teu silêncio
como em cartazes.
Teus cabelos
alinhavados nos dedos
e meu sorriso abre
e fecha
em dimensões opostas.
Na tarde
no manifesto, na passeata
é teu nome que chamam.
Em meio à revolução de 68
A polícia correndo
fumaça
gente na rua
pedras no ar
E minha cabeça só
sonha
em bater
na tua porta
sem pedir
licença pra ficar.
Levo uma música antiga
e uma desculpa esfarrapada
É isso.
Basta!
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