quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Oleviver: outra lua entre viver inteiro vindo e rindo




















Queria acreditar que tua boca tava seca

Faltou água e não assunto

Não queria dormir, a não ser contigo,

ao teu lado, qualquer dia desses.

Não era necessidade de construir uma relação,

era vontade de me despir,

de desnudar os teus olhos,

de não mais me defender.

Olhei pra baixo e atirei nos meus pés.

Mas teus olhos ainda estavam lá. De lado.

Olhos de lado.

Teus olhos, minha lua nesta noite-dia.

Curvos olhos, fazem-me curvar. De novo. Ao chão.

Tenho medo até que esses olhos façam luz curvar-se

no espaço infinito

entre o meu e o teu.

Passo a falar a língua dos pastores alemães,

e tenho ciúmes de quem já te deixou sem jeito.

Queria estar lá para não ter piedade.

Nunca tive.

Sempre te quis ver soar um bom som quando provocada.

E de tanto não ficar quieto, mexi-me.

Estou de braços dados com as escadas,

escorregando minhas mãos.

E encaro de novo teu receio.

Não me deixaste encarar teus olhos, novamente.

Tem nada!

Que o que não é sono, há de durar um pouco mais que um sonho.

Deixar dormir, deixar acordar.

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