quinta-feira, 10 de maio de 2012

homo, ecce homo


dentro do bosque cinza
entre as árvores 
feitas de tijolo e brita
dois braços cruzam o ar
se buscam 
tal flor e abelha.
são dois 
entendidos
não mais infantis
segredos de trás do muro da igreja
desenhos de carvão 
e giz de cera.
é brincar de rei e rainha
branco e preto
do mesmo lado
do mesmo jeito.
lado a lado, 
tão iguais, tão diferente,
foram na praça 
tirar foto com polaroid
e pediram-se em casamento
ao pé da sombra
emitida pelo último poste de tungstênio
de luz amarelo mel,
das abelhas
das colmeias
do doce caldo de cana
da página rasgada
livro de Zé Lins
lembrança que compartilhavam dos confins 
crescidos separados 
em outros engenhos 
de açúcar e gente
segredos 
e um fim.
tanto faz
mata ou sertão, 
não se amolda ser humano 
em forma de rapadura.
os discípulos de dionísio
ainda incompreendidos
saem em procissão.
lava-se as mãos.
são iguais, amantes, 
tatuagens, cirurgias estéticas, 
meia-luz,
beijo escondido da multidão,
ecce homo, 
não há condenação 
para os dois homens.


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