uma velha veio até mim,
salto alto pra distrair
cabelo atrás da orelha.
‘é você o cara que atira em todas
as mulheres desse bar?
estou a fim de ir além,
você sabe,
de um amasso’
peguei a garrafa de cerva
dei uns goles pra encarar o bicho
‘sim, sou eu’
peguei aquela mão enrugada.
a dança ficou por conta da casa
no ritmo da cerveja
que ia e vinha.
parei um instante.
e o mundo veio até mim,
como nunca antes.
falei
‘tenho que ir’.
abracei outra garrafa
e saí em busca da luz do poste.
sentei-me
perto da porta dos fundos
aquela saída que todos acham
pus a mão no bolso
uma passagem
e estava em branco.
talvez fosse velha
ou então era a oportunidade que já tinha ido.
fechei os olhos
guardei o bilhete
entrei no bar
beijei a velha
paguei outra cerveja
mas não fui pra casa
vender meus problemas
na frustração dos outros.
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