as pessoas estão indo almoçar
e eu apenas pego meus óculos
para caçar elefantes.
ponho um pouco de luz do sol,
pela janela
dá pra ver agora
mesmo eu abatido
não me canso de caçar,
de perder meu tempo
e de ver virar as páginas do livro,
elas vão voando
de um lado pra outro.
sinto também que estamos
indo
lá e cá
tombando letra sobre letra.
talvez eu devesse parar
de escrever baboseira
e voltar daqui a 5 anos.
mas se cada hora que passa
são 10 semanas,
falta pouco.
‘aqui, aqui,
sou eu, sou eu...’
o dedo indicador rijo
apontado direto pro meu peito.
eu era tudo ao mesmo tempo
e não tinha visto esse defeito.
pense aí num safari em pleno Recife velho
Era o sol torrando
as pisadas do animal abrindo mata
era o amor que passa.
era o animal e o rifle,
o resto é música pontuada
pelos tiros de espingarda,
tocando nas caixas de rua da cidade.
como faixa de disco
que passa sem perceber
eu era caça infantil.
buuumm,
mais um elefante
pro circo da raça gentil.
agora vou ser domesticado.
quando ouvir aquela canção
eu vou ficar arisco
e depois
fingir
de morto.
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