Há palavras que não conheço,
mas das que conheço
não vejo alguma
que não deva ser dita
ainda que errante
ou bendita
Versos, cartas escritas à mão
e bilhetes de bar
não devem
deixar de existir
nunca
pra não deixar
o verdadeiro amor cara de pau acabar.
Porque é preciso
ter uma cara de mogno,
de jacarandá
ou de outra madeira de lei qualquer
(a lei ou a madeira)
pra meter-se nos peitos do desconhecido amanhã,
e rebater o cinismo que é
o futuro existir
no próximo instante
que teima em vir
sem saber pra quê, porquê e onde.
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